Um grande salto para a poesia deu-se quando o homem inventou a alma!
O mundo só não basta! É preciso um ultra-mundo, um além-mundo!
E quantas coisas não foram facilitadas para a poesia a partir dessa invenção!
Uma delas, das mais tematizadas, é essa idéia de que há um outro que se me adequa e cuja causa da adequação mútua não decorre de meu esforço nessa direção.
- Minha alma gêmea! – dizemos.
Paradoxo: erro o mundo inteiro buscando um canto onde não fazer esforço.
SE EU FOSSE…
Sonhos…
Se eu fosse um sonho,
Fluiria apenas,
Como quem corre suas águas para o mar
Ou como aquele que desliza transparente.
Entre as folhagens.
Nada me impede de mergulhar,
De explorar
… e conquistar.
É apenas o silêncio abissal do Universo
Que me chama,
Clama…
Clama por mais formas, mais imagens,
Mais cores, mais fantasia enfim.
E eu aqui,
Não mais que forma, memória e ideologia.
Sonho… sou sonho.
Indefinido,
Na agitação de vagas de pensamento,
Na confusão das vozes do inconsciente.
Sou rascunhos,
Sou idéias,
Sou desejos…
Sou sonhos,
Me completo nos sonhos.
- Descobri!!!
Eis aqui agora,
Num fluido de pensamento
A concepção de alma gêmea,
Sonho… sou eu outra vez,
O EU que eu quero,
Que busco,
Que espero,
Por hora e vezes mero,
Me quero.
Colatina, meados de 1996.
