Ao tratar do sono (Um problema de “primeira linha”!), da fome (O segundo problema de um escritor!) e agora da sede, muito provavelmente você se aperceberá de que o que está em jogo aqui é a fisiologia.
Assim é para o filósofo Nietzsche, e para o psicólogo Maslov – curiosamente ambos falam de pirâmides (um do ponto de vista do que é socialmente necessário; outro, do que o é ao indivíduo).
Por razões filosóficas prefiro a distinção criada por Nietzsche, que declara que toda sociedade saudável é formada por três tipos de homens, cada qual com uma fisiologia própria (Nietzsche, O anticristo, LVII): uma casta superior, formada por intelectuais – representando a felicidade, a beleza e tudo de bom sobre a terra; uma segunda, constituída por guerreiros nobres, que constitui o elemento executivo dos intelectuais; e uma terceira, determinada pela mediocridade - que em si mesma não é nem boa nem ruim - uma classe cuja fisiologia gravita entre as duas primeiras. Esses três tipos se condicionariam mutuamente, uma vez que da grande base da pirâmide social, constituída pelos medíocres, se distinguem as duas primeiras.
Talvez me perguntem: como pode suas fisiologias serem diferentes se a água que bebem é a mesma?
Aqui entraria uma questão propriamente existencial, porque se uns se resumem a simplesmente beber e gastar a água que lhe chegam às torneiras, outros fazem com que essa água seja recolhida dos mananciais, tratada, conduzida por uma invisível engenharia até as torneiras de todos. Outros ainda, se dedicam a pensar não só essas questões práticas e cotidianas, mas a refletir como preservar a água que está aí agora, de onde tirá-la no futuro, como educar a sociedade para melhor beber!
Mas não me perguntem onde entra o poeta que simplesmente toma a água (também no sentido comum!) por tema de criação - porque se há algo que um poeta sabe fazer por excelência é mimetizar sua diferenciação!!!
(A poesia que segue foi composta especialmente para uma apresentação cultural no Colégio Agostiniano – Vitória, no ano de 2004, cujo tema da Campanha da Fraternidade promovida pela CNBB era “Água: Fonte de Vida“. A mesma poesia foi gentilmente emprestada ao poeta, cartunista e dramaturgo capixaba Milson Henriques para declamação, no mesmo ano, na festa de comemoração do aniversário da CESAN – Companhia Espírito Santense de Saneamento).
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| Água aqui, Água acolá. Se não cuidar, Pode secar. |
REFRÃO |
Seca aqui, Seca acolá. Se não tem água, É restaurar. |
8 Junho, 2009 às 4:52 pm |
Amei a comparação com a água….. A vida é assim, tudo oque fazem e falamos associa-se a comparações cotidianas.
você autor, está de parabéns!!!!!